Testemunhos

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Testemunho da Irmã Mariana

Senti que era isto que eu queria

Não sei explicar como surgiu a minha vocação. É um dom de Deus e eu simplesmente sou um instrumento para seguir esse dom. Conheci muitas irmãs na minha Paróquia… e a minha vocação veio através dos testemunhos que fui observando no meu bairro, que foram despertando em mim o encanto pela missão. Ao terminar o 12º ano fui fazer uma experiência de uma semana com as irmãs Franciscanas da Divina Providência, e senti que era isto que eu queria. Não foi fácil a minha família aceitar… Pois, até aos 20 anos nunca lhes tinha revelado que queria ser religiosa. Fiz a caminhada de aspirantando durante dois anos em Timor e depois vim para Portugal, onde prossegui a minha caminhada de formação. Hoje, sinto que estou feliz no meu caminho. Não quer dizer que não encontre dificuldades no meu dia a dia, mas estou entregue à Divina Providência.

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Queridos Jovens: nós temos muitos sonhos, ilusões e também inquietações, mas aqueles que se sentem tocados pelo Senhor a seguir uma vocação não tenham medo em arriscar e sejam firmes no caminho. Pois “quem deixar tudo por Jesus encontrará o seu tesouro”.

Testemunho da Irmã Josefina

Logo senti que era ali o meu lugar

Os primeiros sinais da minha vocação manifestaram-se ainda em criança. Ficava fascinada com o “entusiasmo e alegria” das Irmãs que costumavam ir à minha paróquia ensinar as crianças. Na altura disse à minha mãe que queria ser como elas… Os anos foram passando e a convicção foi crescendo. Aos 12 anos órfã de mãe e como era a única rapariga no meio de 6 irmãos, o meu pai enviou-me a estudar para um colégio na Indonésia. Regressei a Timor onde completei o 12º ano. Uma colega minha desafiou-me a fazer uma experiência vocacional nas Irmãs Franciscanas da Divina Providência, recentemente chegadas a Timor. Fui fazer a experiência “Vinde e Vede” e “logo senti que era ali o meu lugar”.

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Quando disse à minha família que queria ser religiosa não aceitaram bem, mas eu não desisti e eles acabaram por aceitar a minha decisão. Hoje, estou muito feliz, é uma alegria que não tem explicação… Deus olhou para a minha fragilidade e quis realizar este desígnio de amor. E eu, tal como Maria, disse-Lhe: “Eu, serva do Senhor, faça-se em mim a Sua vontade”. Confio a minha vida nas mãos da Divina Providência. Quero ser missionária… o meu sonho é expandir o carisma da minha congregação em Timor ou noutro local qualquer.
Quero fazer um apelo aos jovens: Se sentem que Deus vos chama não tenham medo de entregar o vosso coração e a vossa vida a Jesus.

Testemunho da Irmã Maria Jacinta

Amar é dar-se

Chamo-me Maria Jacinta Marques, sou natural de Vermoil, concelho de Pombal, concretamente do lugar do Casal da Ordem. Amar é próprio do ser humano, toda a pessoa busca a felicidade, mas a felicidade só se encontra fazendo felizes os outros. Era esta inquietação que eu vivia aos dezoito anos e me fazia andar em busca de algo que eu desconhecia. Até que Deus se revelou, através do testemunho de uma Irmã que passou na minha freguesia. A razão da sua vinda ali, era angariar fundos para a construção de uma casa de raparigas deficientes mentais que veio a ser a Casa do Bom Samaritano em Fátima. O seu testemunho deixou-me inquieta, e no meu espírito ressoava esta interrogação: E se eu fosse como esta Irmã?… Também gostava de fazer o que ela faz por aquelas doentes..! Os dias foram passando, mas aquelas interrogações não desapareciam…e sem saber como nem porquê, dava comigo a interrogar-me como Francisco de Assis: «Senhor que queres que eu faça?». A resposta do Senhor foi clara quando decidi escrever às Irmãs Franciscanas da Divina Providência. Pois descobrir a vocação é fazer interrogações a Deus e escutar a sua resposta, na oração, no silêncio ou nos acontecimentos do dia-a-dia. De mãos livres e pés firmes no caminho, dirigi-me a Fátima à casa das Irmãs, para fazer uma semana de experiência vocacional e voluntariado. Jesus encaminhou-me, para o meio dos mais pobres, aí amei e fui amada e decidi a minha vocação. Iniciei a minha caminhada de formação, a quatro de Outubro de 1983 precisamente no dia de S. Francisco de Assis. No estudo e aprofundamento vocacional, fui encontrando dúvidas, dificuldades próprias desta etapa, mas a voz de Deus falou sempre mais alto. Tive sempre apoio da família, assim como de outras pessoas que me acompanharam e ajudaram no percurso. De todas as que mais me marcaram, foi o nosso Cofundador Frei Adelino Pereira OFM, pela sua sabedoria e humildade, a fé, a alegria e a força que nos transmitia nas aulas, nos retiros e encontros de oração, que fazia conosco.

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Profissão e entrega ao Senhor

No dia oito de dezembro de 1987 na Solenidade da Imaculada Conceição, fiz a minha profissão. Após dois anos de Noviciado, consagrei-me ao Senhor livre e consciente, no propósito de O servir na minha Congregação em obediência à pobreza e castidade, abraçando os carismas de serviço e missão para os quais era enviada. Ali junto ao Santuário de Fátima, procurei escutar o apelo de Maria, que me dizia tal como outrora nas bodas de Cana: «Fazei tudo o que Ele vos disser». Assim confiante em Maria, estava pronta a ser enviada a uma comunidade, que por destino da Divina Providência, foi a Casa do Bom Samaritano em Fátima. Continuei esta caminhada no desempenho do serviço aos pobres, concretamente aos deficientes. Nos gestos generosos e francos, nas palavras meigas e bondosas, no seu olhar fraterno e simples, fui descobrindo a bondade e a misericórdia de Deus. Mais tarde, depois de me preparar com mais estudos, fui enviada para a Comunidade de Coimbra, em Santo António dos Olivais, destinada ao serviço da pessoa idosa, além de outras atividades pastorais na paróquia, concretamente a catequese.

Evangelização e Missão

Quando Francisco de Assis se interrogava acerca da sua missão: «Senhor que queres que eu faça?», Jesus disse-lhe: – «vai e constrói a minha Igreja que está em ruínas».

Também nós, lançámos algumas interrogações ao Senhor por sentirmos o desejo de concretizar em terras Ad gentes o carisma evangélico. A resposta de Jesus não se fez esperar, apontou-nos Timor, um país em reconstrução, depois da invasão devastadora da Indonésia em 1999, como todos recordamos. Sendo o lema de vida, da nossa fundadora, Ana de Jesus Amorim: «para trabalhar pela glória de Deus hei de ter por base o meu nada». Foi também com este espírito que parti para Timor, em 2002 consciente do meu nada, e na certeza que Ele é tudo. Junto daquele povo, extremamente pobre e acolhedor, pude ver a alegria e amizade expressa em tantos rostos marcados pelo sofrimento, de um povo que sempre lutou pela sua cultura em defesa da sua pátria. Num país com tantas carências, o primeiro passo a dar foi o contato com a população para obter um conhecimento geral das necessidades que eram mais urgentes. Tais como a saúde, a educação moral, social e religiosa, a formação profissional, além de outras que fomos colmatando nas diversas circunstâncias. Posso dizer que foi um ano duma grande experiência e que me marcou muito a ponto de voltar de novo em 2010. Seria impossível descrever toda alegria e riqueza que nos dá o serviço na missão, mas uma coisa é certa, é mais o que recebemos do que aquilo que damos. Hoje passados e vividos estes vinte e cinco anos gastos ao serviço do Senhor, tenho consciência de muitas limitações e imperfeições só por me ter esquecido muitas vezes desta advertência: «Tudo aquilo que fizerdes ao mais peque- nino dos meus irmãos…» Aos jovens apelo às palavras do Beato João Paulo II «Jovens não tenhais medo de entregar a vossa vida a Cristo». Concluo com um pensamento da nossa irmã fundadora: «por tudo e em tudo seja louvado nosso Senhor Jesus Cristo».

Testemunho da Irmã Maria Celestina

Tenho uma predileção pelo silêncio, em tudo o que se refere ao mistério da minha vocação, mas porque me foi pedido para descrever o meu testemunho vocacional, vou fazê-lo com muita alegria.

Acreditar em Deus, é em primeiro lugar, experimentar a sua existência na minha história e na minha vida. Tenho 52 anos, chamo-me Maria Celestina Camacho de Freitas, nasci no Estreito da Calheta – Madeira.

A minha vocação deu os primeiros sinais por volta dos 13 anos. Nessa altura estava inserida num grupo paroquial de Jovens e tinha uma vida cristã assídua. De tempos a tempos vinham à minha paróquia, religiosos e religiosas de várias Congregações falar da vida religiosa. A ideia de eu vir a ser religiosa ficou adormecida, e acomodei-me por alguns anitos, por me sentir muito nova para tomar qualquer decisão. Penso que, em todas as vocações devia haver um momento determinante, um tempo decisivo de auto realização, este surgiu-me aos 16 anos. Deus tocou-me através do testemunho de uma religiosa muito simples. A sua simplicidade, a sua forma de amar e a sua lição de vida, foram marcantes para a minha decisão vocacional. Vim para Fátima com o desejo de seguir Jesus. Partir numa aventura de amor. Na bagagem, trazia emoção e uma grande coragem.

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À medida que o barco rasgava as águas em alto mar, sentia-me cada vez mais perto de Deus, que me chamava a uma missão. Ingressei nas Ingressei nas Irmãs Franciscanas da Divina providência no dia 13 de Março de 1978.Nesta Congregação iniciei esta caminhada de formação com a entrada nos postulantado, fui solidificando a minha vocação numa dimensão de fé, conhecendo a espiritualidade franciscana e providencialista. Aprofundei e encantaram-me os exemplos de vida da nossa Irmã Fundadora, que fui conhecendo através das nossas Irmãs, e do estudo dos seus escritos.

Houve momentos difíceis neste percurso. Sinto que foram dádivas da Divina Providência que me ajudaram a criar raízes e assumir compromissos definitivos, para arriscar a vida, numa decisão de entrega radical a Jesus e ao Seu Reino. Fiz a minha primeira profissão, a 4 de Outubro de 1981, dia da Solenidade de S. Francisco de Assis.

Fui integrada numa das comunidades da Fraternidade, onde se concretiza o Carisma do Serviço e Libertação dos de Maior necessidade. Esta opção preferencial pelos pobres seduz-me, e está patente no meu espírito, pois estes são os prediletos de Jesus, os quais eu procuro amar. Sinto a vocação e a vida como uma dom sagrado de Deus que me é oferecido o qual procuro retribuir numa doação de entrega contínua, em pequenos gestos de amor, por onde passa o dom da minha vida. Como alerta Jesus, o que fizerdes aos mais pequeninos dos meus irmãos é a Mim que o fazeis”. Esta recomendação é um desafio ao meu desprendimento. Nesta realidade, descubro a presença do Deus amoroso em cada irmão, simples, transparente, alegre e providente, onde Jesus está vivo, com quem falo, ajudo e trato com carinho.

Deus para mim, é o eterno sedutor que com o seu amor infinito me desafia a ser sinal do amor de Deus Pai a quem chamamos nossa Divina Providência. A Ele confio a minha vida, Ele me ama com amor único, sinto-me interpelada a corresponder com alegria e fidelidade a esse amor, através da Adoração Contemplativa, centrada na Eucaristia. Esta relação é imprescindível na minha vida. É um mistério íntimo. Vivo a felicidade do seguimento de Cristo e a firmeza do meu sim, para servir em qualquer das dimensões carismáticas da nossa Fraternidade, quer seja na Adoração Eucarística, no Serviço e Libertação dos de Maior Necessidade ou na Evangelização dos mais Pobres, incluindo a missão Ad Gentes. Comungo da alegria de ver esta dimensão vivida em Timor, pois ela é muito amada e rezada, por mim. Há uma corrente espiritual que nos sintonia e une a esta missão que, por mais longínqua que seja, está presente e encarnada no meu espírito e coração.

Estou a reviver a minha história vocacional, sinto este momento como fecundo e providencial. Parece-me que na minha vida, nada houve de inútil ou sem sentido, porque o verdadeiro sentido das coisas e dos acontecimentos provém do amor com que recebemos e do amor com que vivemos. O meu coração exulta e rejubila de alegria e entoa hinos de louvor ao Altíssimo, pelo dom sagrado da vocação religiosa. Procurei vivê-la à imitação de Maria, nossa Mãe, na confiança, na Paz, na serenidade, na comunhão fraterna e no abandono nas mãos amorosas da Divina Providência.